top of page

PEI JAU MOU

A 貔貅舞 (Pei Jau Mou), também conhecida como 舞貔貅 (Mou Pei Jau), é uma tradição chinesa de caráter ritual e marcial centrada no 貔貅 (Pei Jau), o Pixiu, uma criatura mitológica auspiciosa associada à proteção, prosperidade, boa fortuna e ao poder de afastar influências negativas. Embora o Pixiu seja conhecido em diferentes regiões da cultura chinesa, a tradição de sua dança sobreviveu de maneira particularmente significativa entre os 客家 (Haak Gaa), o povo Hakka, especialmente em Guangdong e Hong Kong. Diferentemente da Dança do Leão do Sul, que se tornou mundialmente conhecida, a Dança do Pixiu permanece relativamente rara, preservando uma importante ligação entre artes marciais chinesas, religião popular, cultura dos vilarejos e apresentações tradicionais. Pesquisas documentam tradições de Pixiu em regiões de Guangdong como Zengcheng, Dongguan e Wuchuan. Governo do Distrito de Zengcheng, documentação sobre a Dança do Pixiu

A origem histórica exata da Mou Pei Jau é difícil de estabelecer com segurança. É importante fazer essa distinção porque as lendas e referências culturais relacionadas ao Pixiu são muito mais antigas do que as evidências disponíveis sobre as tradições organizadas de dança que conhecemos atualmente. Pesquisas acadêmicas sobre a Dança do Pixiu em Guangdong observam justamente a dificuldade de reconstruir sua história apenas através de documentos antigos, sendo necessário combinar fontes escritas com pesquisas de campo. Por isso, afirmações que atribuem uma única data, dinastia ou criador à dança devem ser tratadas com cautela. O que pode ser demonstrado com maior segurança é a existência de tradições regionais estabelecidas em Guangdong, profundamente associadas à cultura popular e marcial do sul da China. Estudo acadêmico sobre a Dança do Pixiu em Guangdong

Uma das tradições mais importantes encontra-se em 增城 (Zang Sing), Zengcheng, na província de Guangdong. Segundo documentação oficial do governo local, a Dança do Pixiu dessa região possui uma transmissão de mais de dois séculos e é considerada uma manifestação tradicional da cultura Hakka. Localmente, também recebe nomes como 客家貓舞 (Haak Gaa Maau Mou), "Dança do Gato Hakka", e 客家醒獅 (Haak Gaa Sing Si), "Leão Desperto Hakka". Em 2007, essa tradição foi incluída na lista de patrimônio cultural imaterial da província de Guangdong. Historicamente, era apresentada durante as celebrações do Ano-Novo, casamentos, inaugurações de estabelecimentos, conclusão de construções e outras ocasiões importantes para a comunidade. A apresentação combinava celebração, proteção ritual e votos de prosperidade e boa fortuna. Governo de Zengcheng, história e características do Pixiu Hakka

A criatura que ocupa o centro dessa tradição, o 貔貅 (Pei Jau), possui uma posição especial dentro da mitologia chinesa. Tradicionalmente, é considerada uma 瑞獸 (Seoi Sau), criatura auspiciosa, relacionada à proteção e à atração de prosperidade. Entretanto, como se trata de um animal mitológico, sua aparência não é completamente padronizada. Diferentes regiões desenvolveram representações próprias, combinando características de diferentes animais. Na tradição Hakka de Zengcheng, a documentação cultural oficial descreve uma criatura que reúne características associadas ao leão e ao tigre. Em outras localidades, podem existir diferenças nos chifres, dentes, pelos, formato da cabeça e elementos decorativos. Essa diversidade regional é uma das razões pelas quais o Pixiu não deve ser simplesmente tratado como outro tipo de leão.

Para a comunidade de Kung Fu, uma das características mais importantes da 貔貅舞 (Pei Jau Mou) é justamente sua forte ligação com as artes marciais. Na tradição de Zengcheng, a dança tradicionalmente aparece acompanhada de demonstrações de 武術 (Mou Seot), artes marciais, incluindo técnicas de mãos livres e armas. A documentação oficial registra apresentações com bastões, grandes sabres, sabres duplos e outros armamentos tradicionais. Isso coloca a Dança do Pixiu dentro de um ambiente no qual o praticante não precisava apenas manipular uma criatura cerimonial, mas também desenvolver qualidades físicas diretamente relacionadas ao Kung Fu.

Essa base marcial também pode ser observada nos próprios movimentos do Pixiu. O praticante precisa possuir bases sólidas, equilíbrio, deslocamento, coordenação, resistência física, flexibilidade e capacidade de produzir movimentos explosivos. O treinamento das 馬步 (Maa Bou), bases e posições, torna-se fundamental para sustentar a criatura enquanto o praticante muda rapidamente de direção, altura e ritmo. Relatos oficiais sobre praticantes contemporâneos de Zengcheng destacam justamente a importância dos fundamentos marciais para aprender corretamente a tradição. Governo Municipal de Guangzhou, tradição do Pixiu em Zengcheng.

O caráter marcial torna-se ainda mais evidente quando observamos determinadas tradições preservadas em Hong Kong. Alguns grupos Hakka incorporaram diretamente métodos provenientes de sistemas específicos de Kung Fu aos movimentos do Pixiu. Uma linhagem documentada, por exemplo, incorporou técnicas de 南鷹爪 (Naam Ying Jaau), Garra de Águia do Sul, à sua apresentação. Movimentos das mãos, chutes, giros, posições baixas, saltos, rolamentos e mudanças explosivas de direção são utilizados para transmitir a personalidade da criatura. Como algumas cabeças tradicionais de Pixiu possuem menor capacidade de expressão facial quando comparadas a determinados leões modernos, grande parte da personalidade do animal precisa ser criada através da mecânica corporal do praticante.

Essa característica ajuda a compreender a diferença entre simplesmente vestir uma fantasia de Pixiu e realmente executar 舞貔貅 (Mou Pei Jau). O praticante precisa transformar movimentos marciais em comportamento animal. O Pixiu pode parecer cauteloso, curioso, agressivo, brincalhão, faminto ou dominante dependendo da maneira como são controlados a cabeça, o corpo, as bases, o ritmo e a direção. A apresentação pode incluir saltos, giros, rolamentos, chutes, avanços e recuos. Em determinadas tradições, personagens também interagem com a criatura, fazendo com que a apresentação conte uma história em vez de simplesmente apresentar uma sequência de movimentos.

O conceito de 採青 (Coi Cing), "Colher o Verde", amplamente conhecido na Dança do Leão do Sul, também aparece em algumas tradições de Pixiu. Entretanto, sua execução pode possuir características regionais próprias. Algumas apresentações utilizam estruturas elevadas ou formações humanas para que o Pixiu alcance o alvo. Essas demonstrações exigem equilíbrio, coragem, condicionamento físico, cooperação e habilidade acrobática. Assim como acontece na Dança do Leão, o espetáculo visto pelo público pode esconder um nível considerável de preparação física e marcial.

O Pixiu também possui um profundo significado ritual. Como 瑞獸 (Seoi Sau), criatura auspiciosa, está tradicionalmente associado à proteção e à chegada de boa fortuna. Isso explica sua presença em celebrações, inaugurações comerciais, construção de novas residências e outros acontecimentos importantes para uma comunidade. Historicamente, a apresentação não servia apenas para divertir o público. Ela podia expressar desejos de 吉祥 (Gat Coeng), auspiciosidade e boa fortuna, além de prosperidade, proteção e afastamento de influências negativas. Nesse aspecto, o Pixiu pertence ao mesmo universo cultural de outras criaturas auspiciosas chinesas, como o leão, o dragão e o 麒麟 (Kei Leon), Qilin, mas preservando identidade e tradições próprias.

Sua relação com a comunidade 客家 (Haak Gaa) é especialmente significativa. A cultura marcial Hakka desenvolveu-se historicamente em comunidades nas quais família, identidade do vilarejo, religião, migração e treinamento marcial podiam estar profundamente conectados. Documentação contemporânea de Guangzhou apresenta a Dança do Pixiu não apenas como patrimônio cultural Hakka, mas também como uma tradição relacionada ao treinamento físico e à antiga proteção das comunidades. Dessa maneira, a dança preserva algo muito maior do que uma apresentação festiva. Ela representa um ambiente social no qual capacidade marcial, responsabilidade comunitária, ritual e identidade cultural podiam fazer parte de uma mesma tradição. Governo do Distrito de Huangpu, Guangzhou.

Para os praticantes de Kung Fu tradicional, a 貔貅舞 (Pei Jau Mou) também demonstra como o 功夫 (Gung Fu) historicamente ultrapassava os limites das formas de mãos livres e das técnicas de combate. As artes marciais podiam ser expressas através de armas, rituais, festividades, atividades dos templos, danças de animais e tradições coletivas. O praticante responsável pelo Pixiu precisava desenvolver condicionamento físico, estabilidade nas bases, coordenação, ritmo, expressão marcial e conhecimento dos costumes relacionados à apresentação. Em determinadas linhagens, o próprio sistema de Kung Fu praticado pelo grupo influenciava diretamente a maneira como seu Pixiu se movimentava. A dança podia, portanto, funcionar como mais um veículo para a transmissão de características marciais.

É justamente por isso que a Pei Jau Mou não deve ser simplesmente classificada como uma Dança do Leão. Embora as duas tradições possam compartilhar instrumentos de percussão, fundamentos marciais, funções rituais, práticas de Coi Cing e ambientes festivos, o 貔貅 (Pei Jau) possui identidade mitológica própria. Além disso, existem diferenças significativas entre as tradições regionais. Mesmo entre comunidades Hakka, a aparência, os movimentos e a maneira de interpretar a criatura podem mudar de acordo com a localidade e a linhagem. Não existe necessariamente um único modelo universal de Pixiu que represente todas essas tradições.

A preservação da 舞貔貅 (Mou Pei Jau) tornou-se especialmente importante porque ela é muito menos difundida internacionalmente do que as Danças do Leão e do Dragão. A tradição de Zengcheng recebeu reconhecimento como patrimônio cultural imaterial provincial de Guangdong em 2007, enquanto Hong Kong também incluiu tradições relacionadas à Dança do Pixiu em seus esforços de documentação do patrimônio cultural imaterial. Essas iniciativas ajudam novas gerações a preservar não apenas a aparência externa da apresentação, mas também seus movimentos marciais, histórias, rituais, costumes e memória comunitária.

A 貔貅舞 (Pei Jau Mou) representa, portanto, uma extraordinária união entre 武術 (Mou Seot), artes marciais, 客家文化 (Haak Gaa Man Faa), cultura Hakka, e práticas rituais tradicionais. Por trás da aparência feroz do Pixiu existe uma tradição que exige força física, bases sólidas, resistência, coordenação, conhecimento marcial, trabalho em equipe e respeito pelos costumes transmitidos através das gerações. Para a comunidade de Kung Fu, sua importância vai muito além do espetáculo visual. A tradição preserva a memória de uma época em que as artes marciais estavam diretamente integradas à vida social e cerimonial das comunidades.

O 貔貅 (Pei Jau) é, portanto, muito mais do que uma criatura auspiciosa, assim como a 舞貔貅 (Mou Pei Jau) é muito mais do que uma dança. Dentro das tradições marciais Hakka, ela representa a união entre força, proteção, disciplina, comunidade, ritual e herança marcial, preservando até os dias atuais uma manifestação rara e extremamente importante da cultura tradicional do Kung Fu no sul da China.

images (1).jpg
Chi Wu Men Athletic Association
  • Spotify
  • Pinterest
  • Facebook
  • Instagram
  • Yelp
  • TikTok
  • Twitter
  • YouTube
  • Tumblr

©2006 por Chi Wu Men Athletic Association

© Copyright

Horarios de funcionamento 

Seg a Qui: 9h às 20h

Sexta-feira: 18h às 21h

Sábado: 11h às 14h 

Domingo: Fechado

Devido ao COVID nossos horários foram

alterados, consulte-nos

antes de visitar.

Contate-Nos

910 Avenida Colombo,

São Francisco, CA 94133

 

Email: info@chiwumenkungfu.com

Tel: (954) 708 - 4010    

ving-tsun-athl-logo-yellow
usakf
iwf
wushu association
tai chi association
shuaijiao

Associações

sifu-dane-tobias-bak-mei-online-logo.png
bottom of page